sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Embriões clonados: células que dividem!



Cientistas usam embriões clonados para produzir células-tronco e criam polêmica mundial sobre ética

Em 2004, cientistas tiveram sucesso em produzir as chamadas células-tronco – uma espécie de fábrica de tecido humano – a partir de embriões clonados. O resultado representou um passo grande e promissor para a medicina, mas também reinaugurou o debate mundial sobre o limite ético desse tipo de pesquisa.

Células-tronco são um tipo especial de unidade do organismo, que pode ser tratado em laboratório para se transformar em células especializadas, como neurônios, sangue ou tecido cardíaco. Por isso, são chamadas de indiferenciadas e pluripotentes, isto é, têm potencial para gerar tecidos diferentes. Elas servem a pesquisas para fins terapêuticos, na busca da cura de doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer e o de Parkinson, e na tentativa de ampliar as possibilidades dos transplantes de órgãos.

E por que usar embriões clonados para produzi-las? Até hoje, só as células-tronco retiradas de embriões mostraram potencialidade ampla. Já foi provado que células-tronco extraídas do cordão umbilical, da placenta, do cérebro e da próstata podem se diferenciar em alguns outros tecidos, mas não em todos. Além disso, a clonagem gera células com o mesmo material genético do paciente que necessita do novo tecido. Assim, não há rejeição pela defesa do organismo.

O experimento bem-sucedido foi conduzido por uma equipe de 15 pesquisadores, liderada Woo Suk Hwang, da Universidade Nacional de Seul. Seu primeiro relato mundial apareceu em 12 de fevereiro, no site da revista Science. Foi a primeira vez que uma pesquisa chegou a uma fase tão avançada. Antes, cientistas alegaram ter clonado embriões para estudar as células-tronco, mas a maior parte deles foi contestada.

O sucesso na experiência amplificou a voltagem do debate. Para gerar células-tronco, o embrião tem de ser desenvolvido até um estágio em que, para alguns, já existe vida. E ele poderia, em tese, ser gerado por uma mulher, que daria à luz um ser humano completo – e clonado. “A era do clone humano aparentemente chegou”, disse Leon Kass, presidente do Conselho de Bioética do governo norte-americano, que decidiu restringir a pesquisa na área.
Fonte: Revista as Aventuras da História - Editora Abril

Eu, particularmente sou contra  o uso de embriões em experiências ciêntíficas de todos os níveis. Ouvi uma vez uma expressão científica que dizia: "Nada se torna humano. Humano se é, desde que sempre se tenha sido." Sendo assim; creio que a partir do momento que o espermatozóide encontra com o óvulo e formam um embrião, já existe um ser humano. Sendo assim, experiências que interrompem o processo de um embrião são consideradas abortivas.
Mas também há uma segunda realidade, que na minha opinião poderia abrir espaço para tais pesquisas. Se um embrião será necessáriamente destruído, então é prefirível que se utilize para algo. Posso concordar com alguns pontos do texto a seguir: 

"Os embriões de laboratórios de fertilização não ficam guardados para sempre, se não utilizados serão destruídos; por isso penso que melhor é que se use para pesquisas do que simplesmente se destrua. Digo isso baseado no sistema que já existe, afinal a lei brasileira permite que existam essas formas de fertilização e são elas acabam condenando mais cedo ou mais tarde embriões a destruição. É como se escolher entre doar ou não os órgãos de um ente querido que teve morte cerebral, a gente escolhe se vai deixar seus órgãos terem um fim mais útil, ou se preferimos que ele seja enterrado com todos os órgãos.  Não adianta lutar contra essas pesquisas, se fossemos lutar contra algo, seria contra os laboratórios que criam os tais embriões in vitro porque a culpa pela suposta “morte” dos embriões seria deles e não dos que querem pesquisar células tronco." (Roberto Soares)